1899. A Enseada de Botafogo era um paraíso com praias tranquilas, onde cardumes de sardinhas, tainhas, anchovas, golfinhos, arraias, e outras espécies festejavam a vida entre as montanhas verdejantes. A população e as habitações entre a montanha e o mar, ao contrário de hoje, eram ainda rarefeitas.

clicPict729As notícias de guerras, pestes e movimentos políticos chegavam pelo Jornal do Comércio e pela Revista da Semana. Uma vida sem rádio e TV, sem automóvel e sem ônibus, onde os caminhos eram conduzidos por coches e bondes de tração animal, e os céus da nossa pátria pertenciam apenas às garças e gaivotas, enquanto Santos Dumont voejava por Paris em seus balões dirigíveis.
Naquela época a juventude, temerosas da tísica (tuberculose), procurava no remo uma forma de alargar o peito e desenvolver a resistência pulmonar, o remo fixava-se como o esporte mais popular e fazia das regatas o principal acontecimento social esportivo do fim do século XIX.

Fundaram-se agremiações como o Botafogo de Regatas em 1885, o Gragoatá e o Icarahy em Niterói, o Flamengo em 1896, o Natação e Regatas, o Boqueirão do Passeio em 1897, e em 1898 o Vasco da Gama, semente que viria germinar, um ano depois no dia 05 de julho de 1899, o nosso Guanabara.

A nossa história começa com o desmonte do Morro do Senado, para aterrar a faixa costeira da Saúde no centro da cidade, onde situava-se, na ilha das Moças, a sede do Clube de Regatas Vasco da Gama. Criou-se um impasse na escolha da nova sede, surgindo, então, uma dissidência na escolha do local:
O presidente, Gonçalves Couto, com seu grupo queria a nova sede no bairro de Botafogo, nas vizinhanças da raia oficial do Pavilhão de Remo, onde eram disputadas as regatas da antiga União de Regatas Fluminense; já os outros sócios preferiam um local no centro da cidade, junto ao antigo calabouço.

clicPict728Reunidos em Assembléia, a maioria dos sócios do Vasco da Gama, empregados do comércio no Centro, optaram pela nova sede no centro, próximo ao Passeio Público, junto ao Boqueirão, e ao Natação e Regatas, por considerarem a grande dificuldade de deslocamento do centro para o bairro de Botafogo, o que obrigatoriamente se daria em bondes puxados por parelhas de burros.A decisão da maioria causou a renúncia do Presidente do Vasco da Gama, que com toda a sua diretoria, solidarizada, fundaram um novo clube no bairro de Botafogo em 5 de julho de 1899, com o nome de Grupo de Regatas Guanabara, que mais tarde tomou o nome de Clube de Regatas Guanabara.

Depois de vinte anos em um barracão de dois andares, montado em pinho de riga, com garagem de barcos no térreo, administração e alojamentos no 2º andar, um grupo de associados abnegados dedicou-se a construção de uma nova sede.

Um imponente prédio com dois andares na frente, entrada pela Avenida Pasteur e três andares nos fundos, com ampla garagem de barcos a remo, salão de festas, administração e vestiários, sucedeu o nosso Velho Barracão de Pinho de Riga.

Na época de sua inauguração em 1922, foram consideradas as melhores e mais modernas instalações de clubes de remo do Rio de Janeiro servindo de palco para as mais importantes festividades sociais e Congressos Desportivos.

clicPict727Nossa história se funde à história dos desportos aquáticos e náuticos do nosso país. Em 1932 teve inicio a construção da nossa piscina olímpica, sendo inaugurada em 13 de janeiro de 1935, guarda até hoje marcos importantes do esporte pátrio, como o fato de ser a 1ª Piscina Olímpica do Brasil, servindo de sede, naquele ano, do Campeonato Sul Americano de Natação, Saltos e Water Polo, onde se destacaram as jovens nadadoras Piedade Coutinho e Maria Lenk, e palco da quebra de 5 recordes mundiais.

A construção da nossa piscina avançou para o mar, sitiando as águas saudáveis e salgadas da Enseada de Botafogo, que sem a necessidade de tratamento químico e com maior densidade, facilitava a flutuação e portanto atraia nadadores, de todas as partes do pais e da América do Sul, para tentativas de quebra de recordes.

Assim, em 1939 com Maria Lenk surgiram os dois primeiros recordes 200m e 400m borboleta, respectivamente com os tempos de 2´ 56´´ 0 em 8/11/1939, e de 6´ 15´´ 8 em 11/10/1939; a seguir em 20/9/1961, com Manoel do Santos, caiu o record mundial de 100m livre com o tempo de 53´´ 6; depois foi a vez de Luiz Alberto Nicolau bater dois recordes mundiais de 100m borboleta no dia 24/04/1962 com o tempo de 58″ 4 e dois dias depois, no dia 27/04/1962, com o tempo de 57´´ 0; e em 1968 no dia 19 de fevereiro José Sylvio Fiolo bateu o recorde mundial de 100m peito com o tempo de 1´ 06´´ 40.

No remo, desde o tempo de sua fundação as guarnições do Guanabara venceram inúmeras vezes os Campeonatos do Rio de janeiro, brasileiros e Sul Americanos, regatas locais e internacionais, em Buenos Ayres, Montevidéu e Porto Alegre, destacando-se os barcos dois/com, dois/sem, quatro/com, quatro/sem e skiff.

clicPict726A Vela brasileira também teve o seu apogeu nas nossas águas. Em 1938 o Guanabara disputou a sua primeira regata com um Sharpie com o nome de ” Pato Donald”. Nas décadas de 40 e 50 do século passado a vela no Brasil teve um grande impulso com o Dr. Pimentel Cândido Duarte, que mandou construir vinte veleiros e os entregou aos competidores formando uma flotilha que conquistou muitas vitórias levando o C.R. Guanabara ao primeiro plano da vela nacional.
Após 1950, com o aterro feito para alargamento da Praia de Botafogo e abertura do túnel do Pasmado para facilitar o acesso direto à Copacabana, surgiu a necessidade da derrubada da sede construída em 1922, dando-se início à construção da atual sede do Clube. A primeira parte da nova Sede Social foi inaugurada em 1958, com a presença, dentre outras autoridades, do Presidente da CBD Dr. João Havelange.

Os Presidentes do Clube, durante o período das obras de construção da nova sede foram Carlos Evaristo de Oliveira, José Ferreira Mendes e Raul Braga Lacerda, que deram total apoio a Comissão de Obras e Planejamento que funcionou durante 12 anos, sendo o seu Presidente Dr. Carlos Osório de Almeida.